Divulgando | Pierre Fatumbi Verger por Rubens Ricupero – Exposição “Todos Iguais, Todos Diferentes?”

No dia 31 de agosto de 2019, data da inauguração da exposição Todos Iguais, todos diferentes? que aconteceu no MIS de São Paulo, os visitantes e convidados presentes tiveram a oportunidade de assistir a fantástica palestra de Rubens Ricupero à respeito da história da escravidão, da política cultural do Brasil nos anos 1970 e da vida e obra de Pierre Verger. Para divulgar essa palestra magistral, a Fundação Pierre Verger junto com o MIS decidiu disponibilizá-la na integra no seu canal youtube.

Rubens Ricupero, que já foi diplomata, embaixador do Brasil, diretor da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e ministro da Fazenda, levou ao público uma enorme bagagem de conhecimentos e informações adquiridos ao longo dos anos da sua vida pública e de convivência com o seu amigo Pierre Fatumbi Verger, apresentando para o público uma aula sensacional na qual revelou importantes fases da vida de Verger, contextualizando-as com momentos históricos no Brasil e no Mundo.

Ricupero iniciou sua apresentação revelando duas angústias de Verger ao final da sua vida: a preocupação com os mais de 60 mil negativos e de não poder terminar a edição do livro Ewé. Contou como o conheceu, há 46 anos, quando exercia o cargo de Chefe de Divisão de Difusão Cultural do Itamarati, no auge do período mais tenebroso da Ditadura Militar. Relatou que o clima não era favorável, especialmente para as culturas africanas e afro-brasileiras, pois havia uma desconfiança profunda em relação a esse tema e que o Brasil não tinha sensibilidade para entender a diáspora africana. Então, falar dessa cultura em plano público estimularia a divisão do país e a criação de um movimento negro inspirado no que acontecia nos Estados Unidos, o que poderia fragmentar a sociedade brasileira e, por isso, havia uma atitude de desconfiança e de hostilidade aos temas trabalhados por Verger.

Para Ricupero, é quase um autêntico milagre que nessa atmosfera tenha se dado o renascimento do interesse pela África, e Verger teve um papel fundamental e extraordinário pois era um homem que passava de uma cultura à outra e trazia uma cultura para a outra. No fluxo e refluxo, Verger juntava as pessoas.
Tratou também da ligação de Verger com Roger Bastide, dos almoços com o antropólogo baiano Vivaldo da Costa Lima e da relação com Mãe Senhora, além de outros momentos interessantes como o encontro com uma comitiva de homens iorubás em missão no Brasil, quando percebeu a conexão entre Bahia e África nas saudações no Mercado Modelo e em encontro no Terreiro de Olga do Alaketu.
Ricupero confessa ainda que tudo que aprendeu sobre essas culturas deve a Verger e finaliza lendo trechos do verbete que ele escreveu para a ONU, no qual ele homenageia o amigo.

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