CHAMADA DE TRABALHOS | I COPECUNE – Conferência Pernambucana de Produções Culturais Negras : PRODUÇÕES CULTURAIS, NEGRITUDE E MEMÓRIA

Todo mundo concorda que as produções afro-pernambucanas necessitam de uma maior visibilidade e de práticas de fomento mais adequadas? 

Pensando nisto, a Mandume Coletivo Cultural, via concurso Formação e Pesquisa – LAB PE, da Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco – SECULT-PE, com o apoio do Museu da Abolição, irá promover I Conferência Pernambucana de Produções Culturais Negras- COPECUNE, entre os dias 22/02 e 26/02/2021 (virtual).
Com o tema: “PRODUÇÕES CULTURAIS, NEGRITUDE E MEMÓRIA” a I COPECUNE pretende visibilizar e discutir a produção cultural da população afro-pernambucana, destacando como experienciam e utilizam “novas” maneiras de pensar, criar e ressignificar seus processos, ao tempo em que mobilizam suas memórias afetivas, ancestrais, territoriais, corporais….
O evento contará com mesas de debate e 03 simpósios temáticos compostos pelos seguintes temas: Audiovisual: Frames da realidade negra – Coord. Ethel Oliveira; Negritude na Artes Visuais – Coord. Rennan Peixe; Estudos e inventivos negros – Coord. Luiza Reis.

Os formatos de trabalho aceitos serão: Relatos de experiência, Artigos, Fotografias e Produções Audiovisuais. O I COPECUNE pretende publicar numa revista virtual uma seleção dos trabalhos apresentados. 
Você pode acompanhar tudo pelo nosso Instagram: https://instagram.com/mandumecultural?igshid=rg4ph847qex1
Também pode correr pra ver o formulário para submissão de trabalhos por aqui (chamada  para submissão de trabalhos até 31/01/2021) : https://linktr.ee/MandumeCultural
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Saúde!

Chamada para comunicações – III Conferência Internacional Ativismos em África 2021

Diante da atual pandemia covid19, que exige o cancelamento ou o adiamento dos diversos eventos, a comissão organizadora da III Conferência Internacional ATIVISMOS EM ÁFRICA 2021 (Recife, Brasil) está ciente dos desafios impostos pela crise sanitária e seus efeitos imprevistos efeitos em um futuro próximo. Levando em consideração a incerteza do retorno às universidades em condições seguras e a normalização do tráfego aéreo global, a comissão organizadora decidiu converter a III Conferência Internacional ATIVISMOS EM ÁFRICA 2021 em uma eConferência (Conferência Virtual).

A reorganização da conferência vai impor vários desafios aos participantes, acadêmicos, palestrantes e ao comitê organizador. Mas esse novo modelo de eConferência vai enriquecer todo o evento, permitindo a participação de acadêmicos e ativistas que não poderiam viajar ao Brasil para apresentar seu trabalho e movimento. Face a esta nova realidade, a comissão organizadora decidiu adiar o prazo do call for papers para 31 de janeiro de 2021.

Convidamos acadêmicos e ativistas a participar desta conferência e enviar seus trabalhos ou entrar em contato com o comitê organizador para apresentar seu movimento ativista e suas lutas nestes tempos desafiadores da pandemia COVID19.

Call for papers: https://activismsinafrica21.wordpress.com/call-for-papers/

Confira a lista dos Painéis Temáticos:

01
Beyond social movements: African civil society between acting, limitations and challenges
Além dos movimentos sociais: A sociedade civil africana entre atuação, limites e desafios

02
Social Movements in urban space in Sub-Saharan Africa: typologies and challenges
Movimentos sociais no espaço urbano da África subsariana: tipologias e desafios

03
Popular protests, political opportunities and change in Africa

04
Activism in Africa in times of pandemic
O ativismo na África em tempos de pandemia

05
Civil Society, African/Afro-Brazilian Social Movements and Higher Education
Sociedade civil, movimentos sociais negro-africanos e ensino superior

06
1956-1958: A revolutionary period that changed Africa (and the world)

07
Decolonizing LGBTIQ Activism in Mozambique
Descolonizando o Ativismo LGBTIQ em Moçambique

08
Women, poitics of culture and social movements
Mulheres, política cultural e movimentos sociais em África e Brasil

09
Necropower in African Contexts: activism against extrivist megaprojects and struggles for citizenship and land
Necropoder em Contextos Africanos: os ativismos contra os megaprojetos extractivistas e as lutas por cidadania e pela terra

10
Sexualities in African contexts and their political demands
Sexualidades em contextos africanos e suas reivindicações políticas

11
Activism and Human Rights in Sub-Saharan Africa
Activism and Human Rights in Sub-Saharan Africa

12
Displacement as Activism: Resistance against slavery and mobile struggles for equality in West Africa and the Diaspora

13
Affirmative policies and the protagonism of black movements: challenges in the education of ethnic-racial relations in the Brazil/Africa dialogue
Políticas afirmativas e o protagonismo dos movimentos negros: desafios no campo da educação das relações étnico-raciais no diálogo Brasil/África

14
Counter-colonial Feminisms, Dissident Gender Movements and Human Rights Activisms: An Africa-South American Dialogue
Feminismos contra-coloniais, movimentos sexo-gênero dissidentes e ativismos pelos direitos humanos: Um diálogo África-América do Sul

15
Racialized female bodies: White hegemony and insurgencies in Africa and the Diasporas
Corpos femininos racializados: hegemonia branca e insurgências em África e nas Diásporas

16
(Dis)Lusotropicalization of thought: Portugal/Africa activism
(Des)lusotropicalização do pensamento: ativismo Portugal/África

17
Digital tools, technological artifacts, cyberactivism and social mobilizations in networks in global contexts
Ferramentas digitais, artefatos tecnológicos, ciberativismo e mobilizações sociais em redes em contextos globais

18
Transnational Activisms, Education, History and African and Afro-Brazilian Culture

Ativismos Transnacionais, Educação, História e Cultura Africana e Afro-brasileira

19
Expressions of African-based religion: between deconstruction and reframing Eurocentric views
Expressões da religião de matriz africana: entre a desconstrução e ressignificação de visões eurocêntricas

20
The colonial past as a problem not closed in contemporary times. “Artivism” as a contribution to mental decolonization and as an intercultural possibility
O passado colonial como problema não encerrado na contemporaneidade. O “artivismo” enquanto contributo para a descolonização mental e como possibilidade intercultural

21
Lusophony, Periphery and Resistance: Contemporary voice and writing of African and Afrodescendant women
Lusofonia, Periferia e Resistência: a voz e escrita contemporânea de mulheres africanas e afrodescendentes

22
African and afrodiasporic artistic-cultural productions in anticolonial, decolonial and descolonial perspectives
Produções artístico-culturais africanas e afrodiaspóricas em perspectivas anticoloniais, descoloniais e decoloniais

23
Memory policies and discursive strategies in cinema
Políticas da memória e estratégias discursivas no cinema

24
African and Aphrodiasporic Cinemas: activism in contemporary contexts
Cinemas Africanos e Afrodiaspóricos: ativismos em contextos contemporâneos

25
Artists and culture in movements: experiences, trajectories and biographies
Artistas e cultura em movimentos: experiências, trajetórias e biografias

26
Aesthetic experiences and heritage among Afro-Atlantic activisms
Experiências estéticas e patrimônio entre ativismos afro-atlânticos

27
Sounds of Africa – activism, capillarity and resilience of African and Afro-diasporic musical arts
Sons da África – ativismos, capilaridades e resiliências das artes musicais africanas e afro-diaspóricas

28
Rap and Political Activism in Angola and Mozambique
Rap e ativismo político em Angola e Moçambique

29
Afro-Atlantic photographs and counter-colonial visualities
Fotografias afro-atlânticas e visualidades contracoloniais

30
Towards an agrarian transnationalism: agrarian and rural struggles within ‘non-Imperial South
Por um transnacionalismo agrário: lutas agrárias e rurais no ‘Sul não imperial’

31
New Social Movements, Politics and Youth Protagonism
Novos Movimentos Sociais, Política e Protagonismo Juvenil

32
Questões e desafios metodológicos na investigação sobre activismo

33
Transnational LGBTI activism in a changing Africa: local and transnational strategies

34
Questioning activism: the theoretical framework proposals based on experiences of activists from African countries
Problematizando o activismo: as propostas do quadro teórico a partir de experiências de activistas dos países africanos

35
Weaving antiracist networks: activisms, narratives and counter-colonization
Tecendo redes antirracistas: ativismos, narrativas e contracolonização

36
Networks of Knowledge Building: the role of militant and academic feminisms
Redes de Construção de Saberes: o papel dos feminismos acadêmicos e militantes

Divulgando | Trilhas da democracia: Guerra em Moçambique

O tema do programa desta semana será Guerra em Moçambique e terá como convidados os pesquisadores Lucca Bussotti (professor visitante do programa de pós-graduação em Sociologia da UFPE) e Laura Nhaueleque (pesquisadora da Universidade Aberta de Lisboa).

O programa será apresentado neste domingo às 17h no canal do Brasil 247 e às 21h30 na TVU.

Divulgando | III Conferência Internacional Ativismos em África 2021

Recife, 14, 15, 16 de setembro 2021 [CONFERÊNCIA VIRTUAL]

Numa fase histórica em que o continente africano está vivendo grandes transformações, que em muitos casos ameaçam os espaços de liberdade individual e coletiva conquistados com grandes esforços mediante as lutas anticoloniais, a sociedade civil e nomeadamente os movimentos sociais representam o elemento fundamental para levar a frente um projeto de sociedade inclusivo e justo. Para compreender melhor tais lutas, analisando suas caraterísticas, inovações e capacidade de criação de redes solidárias, o Instituto de Estudos de África da Universidade Federal de Pernambuco, a Universidade Federal da Paraíba, o Centro de Estudos Internacionais do Iscte (CEI-Iscte) e o Centro de Estudos Sociais Amílcar Cabral (CESAC) de Bissau promoverão nos dias 14, 15, 16 de setembro de 2021, a 3ª Conferência Internacional Ativismos em África, no qual serão debatidos os novos perfis do ativismo social no continente africano e as perspetivas de mudança trazidas pelos mesmos.

Diante da atual pandemia covid19, que exige o cancelamento ou o adiamento dos diversos eventos, a comissão organizadora da III Conferência Internacional ATIVISMOS EM ÁFRICA 2021 (Recife, Brasil) está ciente dos desafios impostos pela crise sanitária e seus efeitos imprevistos efeitos em um futuro próximo. Levando em consideração a incerteza do retorno às universidades em condições seguras e a normalização do tráfego aéreo global, a comissão organizadora decidiu converter a III Conferência Internacional ATIVISMOS EM ÁFRICA 2021 em uma eConferência (Conferência Virtual).

A reorganização da conferência vai impor vários desafios aos participantes, acadêmicos, palestrantes e ao comitê organizador. Mas esse novo modelo de eConferência vai enriquecer todo o evento, permitindo a participação de acadêmicos e ativistas que não poderiam viajar ao Brasil para apresentar seu trabalho e movimento. Face a esta nova realidade, a comissão organizadora decidiu adiar o prazo do call for papers para 31 de dezembro de 2020.

Convidamos acadêmicos e ativistas a participar desta conferência e enviar seus trabalhos ou entrar em contato com o comitê organizador para apresentar seu movimento ativista e suas lutas nestes tempos desafiadores da pandemia COVID19.

Call for papers: https://activismsinafrica21.wordpress.com/call-for-papers/

As comunicações apresentadas na Conferência poderão ser publicadas, em forma de artigos, nas revistas académicas parceiras do evento, consoante os interesses temáticos e os procedimentos em vigor em cada uma dessas revistas:

Cadernos de Estudos Africanos (CEI-Iscte)

Debates Insubmissos (UFPE)

Estudos de Sociologia (UFPE)

Trans|form|ação (UNESP)

Canadian Journal of African Studies (CAAS)

Luso-Brazilian Review (University of Wisconsin Press)

Revista Brasileira de Estudos Africanos (CEBRAFRICA)

Divulgando | CHAMADA PARA SELEÇÃO DE BOLSISTAS NÚCLEO ERER/UFPE

Universidade Federal de Pernambuco

Núcleo de Políticas de Educação das Relações Étnico-Raciais – (Núcleo ERER)

CHAMADA PARA SELEÇÃO DE BOLSISTAS NÚCLEO ERER/UFPE

O Núcleo de Políticas de Educação das Relações Étnico-Raciais da Universidade Federal de Pernambuco (Núcleo ERER/UFPE), pelo presente instrumento, torna pública a seleção para 05 (cinco) bolsistas, estudantes da graduação, através do “Programa de Bolsa de Desenvolvimento Profissional”. Os bolsistas colaborarão com o núcleo no desenvolvimento de ações que contribuam para a implementação de políticas de Educação das Relações Étnico-Raciais na UFPE, constituindo importante instrumento de formação, preparação e qualificação para o mundo do trabalho e emprego.

O Núcleo ERER/UFPE tem como objetivo de promover a política de Educação das Relações Étnico-Raciais no âmbito da comunidade acadêmica e na sua relação com a sociedade, orientada pelo princípio da equidade para a garantia dos direitos educacionais e o combate ao racismo e às desigualdades que afetam a permanência e o desenvolvimento pleno da comunidade acadêmica da UFPE.

Pelo seu caráter de ação afirmativa e pela especificidade das vagas, este edital destina-se às pessoas autodeclaradas negras e indígenas membros dos grupos/núcleos/laboratórios sobre a temática ERER da UFPE.

Para mais informações:

Divulgando | 3ª Edição do Programa Prosseguir do CEERT – Divulgação

“O Programa Prosseguir tem como finalidade evidenciar futuras lideranças negras que estão nas universidades públicas e privadas, por meio de estratégias de fortalecimento e permanência acadêmica até a conclusão exitosa da graduação, além de estabelecer diálogos e pontes com o mercado de trabalho.

São 60 bolsas de estudos para universitários negros nas regiões metropolitanas de São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro, no valor de R$600,00. Além da bolsa, o estudante participará de programa de fortalecimento de liderança e preparação para o mercado de trabalho, além de diálogos sobre equidade racial no trabalho e curso de inglês. As atividades da terceira edição do Programa Prosseguir ocorrerão entre os meses de fevereiro e dezembro de 2021.

O programa focaliza não só a transformação da vida dos participantes, como também sinaliza para a sociedade a importância de políticas públicas e institucionais de equidade racial e diversidade.”

As inscrições estão abertas até 06/12/2020 e podem ser realizadas no site https://prosseguir3e.ceert.org.br/

Divulgando | Prospecta UFPE – O Futuro da Consciência Negra e a Importância de uma Cátedra Frantz Fanon na UFPE

“O Prospecta UFPE do Instituto Futuro tem a missão de discutir e divulgar o que pensa a UFPE em relação a assuntos, temas, problemas fundamentais à existência humana, buscado fazer dialogar as ciências e as humanidades, diálogo que é raro ainda hoje no mundo acadêmico, na sociedade em geral. Em função dessa nossa responsabilidade, o Instituto Futuro da UFPE, neste mês da consciência negra, considera muito importante discutirmos a questão da injustiça social, da desigualdade racial a partir de um grande pensador, assim reconhecido no mundo todo, o grande pensador martinicano, psiquiatra, ensaísta e ativista político, Frantz Fanon.

Muitos estudos demonstram que o Brasil se nega a considerar os profundos abismos sociais que a Escravidão provocou, as profundas injustiças sociais que se perpetuaram desde então, desde antes da “abolição da escravatura” e continuando até os dias de hoje.

Diferente de outras regiões do mundo que estabeleceram leis de apartheid de diversos tipos, a sociedade brasileira foi especialmente hipócrita e cruel: a Constituição de 1824 não mencionava a palavra “escravo” ou “escravidão”, ignorando, de propósito, uma grande parcela da população do Pais, por um lado, mas por outro lado, proibindo crianças negras de irem às escolas. Houve uma lei que previa pena de morte apenas para escravizados, em 1835; também era proibido de professar as religiosidades de origem africana, enquadradas como magia negra e outros tantos adjetivos .

A determinação de que “todos são iguais perante a Lei” apenas deixou mais vulnerável a camada da população mais ignorada e desassistida, ao ser entendida como se vivesse em iguais condições de vida. Outras tantas leis, foram sendo aplicadas, no processo da historia social deste país que só aprofundaram as desigualdades, aumentou o sentimento de injustiça, deseducou as pessoas desde tenra idade, ao negar-lhe esse conhecimento, essa consciência. Agora, tantos séculos de injustiça passados, começamos a conhecer movimentos estruturados contra todo esse percurso de vergonha humana e eles precisam crescer. Vemos com alegria a UFPE inaugurar no dia 20 deste mês de novembro, seu .Núcleo de Politicas de Educação das Relações Étnico-raciais e ter, desde 2017, um Instituto de Estudos de África.

Nesses dias de Novembro, mês da consciência negra, em que devemos reforçar a necessidade de que o País consiga, num futuro bem próximo – evitar que o racismo siga injustiçando a maioria do povo brasileiro, convidamos todos a participar conosco desse momento de reflexão sobre um pensador que pautou sua vida na luta contra a divisão do mundo em opressores e oprimidos; na luta contra o condicionamento do negro pelo branco, contra a desumanização dos povos indígenas, e que escreveu livros fundamentais sobre o racismo. Também, para discutirmos a sobre a importância de a UFPE ter uma Cátedra com o nome Frantz Fanon. Uma luta que está em curso já a mais de um ano, encabeçada pelo professor Alexsandro de Jesus, do Departamento de Antropologia e Museologia da UFPE, uma cátedra que precisa ser reconhecida e um pensador que precisa ser estudado desde dentro da UFPE, e fazê-lo ecoar na Sociedade.

É este grande pensador e ativista político que vamos discutir, no dia 25 de Novembro, na próxima quarta feira, às 16 horas, com a palestra do professor Alexsandro de Jesus e os comentários do professor Vico Melo, professor da UFPB.

Compareça, contribua!

O professor Alexsandro de Jesus Silva Doutor em Sociologia, professor associado do Departamento de Antropologia e Museologia e membro do Comitê de Ética em Pesquisa da UFPE;

O professor Vico Melo é bacharel em Relações Internacionais pela UFPB, mestre em Ciência Política pela UFPE e Doutor em Pós-Colonialismo e Cidadania Global pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES/UC).

Para saber mais:

Livros de Frantz Fanon:

Os condenados da terra, 1961

Pele negra, Mascaras brancas, 1952

Alienação e Liberdade, 1952″.

Fonte: https://sites.ufpe.br/institutofuturo/2020/11/21/prospecta-ufpe-o-futuro-da-consciencia-negra-e-a-importancia-de-uma-catedra-frantz-fanon-na-ufpe/

Divulgando | Conferência com filósofo senegalês Souleymane Bachir Diagne

“A Aliança Francesa de Belo Horizonte convida o filósofo senegalês Souleymane Bachir Diagne para a conferência online “O pan-africanismo de ontem e amanhã para uma africanidade transatlântica”. O encontro é em francês, com tradução simultânea, e acontece no dia 20 de novembro, às 19h, no YouTube. A palestra faz parte das atividades do Mês da Consciência Negra.

Professor dos departamentos de filosofia e de francês da Columbia University (EUA) e produtor uma imensa obra sobre as tradições filosóficas e culturais da África e do mundo islâmico, Diagne vem trazendo discussões do tipo em vários países, promovendo o pensamento crítico.

O evento é uma realização da Aliança Francesa de Belo Horizonte junto com a Embaixada da França no Brasil e da Federação Brasileira dos Professores de Francês.

Sobre o palestrante

Nascido em Saint-Louis, Senegal, em 1955, Souleymane Bachir Diagne é professor de filosofia na Columbia University em Nova York desde 2008, onde dirige o Institute of African Studies. Formado em filosofia e matemática (formação na École Normale Supérieure na rue d’Ulm e na Universidade de Paris IV-Sorbonne em Paris), é considerado um dos maiores pensadores africanos contemporâneos.

Em 2004, a revista Le Nouvel Observateur selecionou-o entre os “25 grandes pensadores de todo o mundo” e a revista Jeune Afrique em 2007 entre as “100 personalidades que fazem a África”.

Antes de Nova York, ele ensinou filosofia por vinte anos na Cheikh Anta Diop University em Dakar, Senegal, e depois por oito anos na Northwestern University em Chicago. Sua pesquisa e ensino se concentram na história da lógica matemática, na história da filosofia, na filosofia do Islã e nas religiões, tradução, teorias pós-coloniais, bem como questões de literatura e filosofia em África.

O seu livro “BERGSON POS COLONIAL: O ELA VITAL NO PENSAMENTO LEOPOLD SEDAR SENGHOR E MUHAMMAD IQBAL” esta traduzido para o português e publicado pela editora Cultura e Barbárie. Este livro foi coroado em 2011 na França com o Prêmio Dagnan-Bouveret da Academia de Ciências Morais e Políticas, ano em que também obteve o Prêmio Edouard Glissant da Universidade de Paris VIII por toda sua obra.

Ele é membro associado da Royal Academy of Belgium e da American Academy of Arts and Sciences.”

Fonte: https://aliancafrancesabh.com.br/events/conferencia-com-filosofo-senegales-souleymane-bachir-diagne/

Chamada para artigos | Dossiê – A outra história: por uma narração alternativa das lutas de libertação nos PALOP | Revista Tempo e Argumento

Revista Tempo e Argumento (UDESC)

Dossiê: A outra história: por uma narração alternativa das lutas de libertação nos PALOP

Submissões até 31 de maio de 2021.

Volvidos cerca de 45 anos da obtenção das suas independências, os Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP) estão sendo atravessados por uma vaga de revisionismo historiográfico que abre novas chaves de leitura sobre o período crucial das lutas pelas independências levadas a cabo em Guiné-Bissau e Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Angola, assim como sobre o processo de descolonização por parte do governo português liderado pelo General Spínola e depois pelo General Costa Gomes, imediatamente depois do 25 de Abril de 1974. Uma tal tentativa de releitura do recente passado está ocorrendo apesar de enormes dificuldades, derivantes basicamente de um clima político não favorável a tais iniciativas, pelo menos naqueles países dos PALOP cujo nível de democracia real continua baixo e em que nunca houve alternância de governo, entre os quais os dois maiores, Angola e Moçambique.

No caso dos PALOP, o lema de que “a história é escrita pelos vencedores” representa uma realidade concreta, que moldou toda a historiografia oficial, principalmente graças ao fato de que todos esses países passaram por uma experiência de adesão ao marxismo-leninismo, com regimes a partido único, que adotaram uma versão da história linear, apologista e unilateral, desconsiderando complexas dinâmicas internas aos movimentos de libertação, que ficaram assim quase que completamente negligenciadas.

Pelo contrário, em todos os PALOP existe uma “outra história”, que inicia de uma necessária reconsideração do processo de descolonização levado a cabo pelo governo português de Salvação Nacional, e termina com possíveis opções políticas “alternativas” que entretanto foram apagadas – por vezes, como no caso de Moçambique, de forma extremamente violenta – e que, apesar da introdução, na década de 1990, do multipartidarismo, da liberdade de expressão e de imprensa, até hoje continuam amplamente ocultadas e incapazes de competir com a historiografia oficial e suas versões de frequente “míticas” e construídas a partir de fontes duvidosas.

Por isso julgámos que tenha chegado a hora de repensar na fundação e na evolução das independências dos PALOP, usando fontes alternativas, quer orais, quer documentais, hoje em parte disponíveis, abrindo assim um debate historiográfico sério e desprovido do pendor político e ideológico que o tem caraterizado até hoje. O período que o dossiê considera mais crucial é o das lutas de libertação, assim como dos primeiros anos das experiências socialistas dos PALOP, em que se construiu a historiografia oficial e em que os regimes socialistas expressaram a sua face mais dura.

O presente dossiê tenciona portanto refletir sobre o pós-colonial nos PALOP, convidando os autores a propor artigos sobre assuntos inovadores e desafiadores, tais como, a mero título de exemplo:

  1. A descolonização portuguesa e seus impactos nos movimentos de libertação, com um foco especial nas dinâmicas internas a tais movimentos;
  2. A revisão do “mito fundador” que os vários PALOP criaram e difundiram, tornando-se história oficial, mas sem o uso de fontes fidedignas;
  3. A revisão da componente militar da luta pela independência e a importância que esta teve no resultado final;
  4. A relação entre adesão ao marxismo-leninismo e direitos humanos, principalmente no que diz respeito aos direitos políticos dos opositores;
  5. A revisão de figuras que a historiografia oficial tem classificado de “reacionárias” e “antipatrióticas”, mas que hoje estão merecendo uma abordagem mais crítica e uma reinserção na história dos vários PALOP;
  6. As datas, os símbolos, os heróis da história oficial diante a sua revisão crítica na construção da identidade nacional;
  7. Os processos de exclusão de grupos étnico-linguísticos ao longo do processo de lutas pela independência nacional e da formação do Estado-nação;
  8. A questão das fontes usadas pela historiografia oficial e seu questionamento;

A comparação entre os vários PALOP no que toca à experiência da luta de libertação nacional.

Organizadores:

Luca Bussotti (UFPE e CEI ISCTE-IUL)

Marc Jaquinet (Universidade Aberta de Lisboa)